Pular para o conteúdo principal

Vannuchi pede a AGU que reveja parecer sobre anistia

Felipe Recondo - de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi , entregou nesta sexta-feira, 7, ao advogado geral da União adjunto, Evandro Gama, um pedido para que o parecer da AGU sobre ação que trata da Lei de Anistia seja alterado. O principal pedido é para que a AGU considere no documento o crime de tortura imprescritível e insuscetível de anistia. Vannuchi defende ainda que a AGU reveja o argumento de que o Ministério Público não poderia mover ação para que documentos da época da ditadura militar fossem revelados para que a sociedade tivesse conhecimento sobre o que aconteceu no período.

Veja Também:

linkÍntegra da contestação da AGU sobre a Lei da Anistia lista

linkDireito à verdade: Livro conta história oficial documento

link Entenda o processo que resultou na Lei de Anistia lista

link Especial traz a cronologia dos fatos de 1968 especial

linkPara Dilma, tortura é um 'crime imprescritível'

linkAmeaça de renúncia em peso na comissão de anistia acirra crise

link Historiador analisa revisão que pode punir torturador som

O parecer da Advocacia Geral, no processo que corre em São Paulo contra os coronéis da Reserva, Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel, ex-comandantes do DOI-Codi, afirma que os dois não poderiam ser punidos pelas acusações de tortura, porque teriam sido beneficiados pela Lei de Anistia de 1979. Pelo entendimento da AGU, os crimes eventualmente cometidos nos porões do DOI-Codi estão anistiados. Mas no entendimento do ministro da Justiça, Tarso Genro e de Vannuchi, o Direito Internacional não reconhece o perdão para esse tipo de crime. Por isso defendem a interpretação de que os crimes de tortura não são anistiados.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal, justamente para dirimir essa divergência de interpretações. Os ministros terão de decidir se a Lei de Anistia está de acordo com a Constituição de 88, que definiu que o crime de tortura é imprescritível e suscetível de anistia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resistência civil pelo velho horário

Em 31 de outubro de 2010, durante o segundo turno, 56,87% dos eleitores acreanos, em referendo, rejeitaram a Lei 11.662, que alterou o fuso horário do Estado. Em 14 de dezembro de 2010, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidiram homologar o resultado. Na ocasião, o TSE entendeu que os próximos passos para definir os procedimentos da mudança não caberiam à Corte Eleitoral. O problema foi então transferido para o Senado Federal, onde vem recebendo forte lobby da Rede Globo de Televisão e da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), que já ameaçam, inclusive, acionar a justiça para que a decisão soberana do Povo do Acre não se efetive (veja aqui... ) Tais atos, desrespeitosos e ofensivos à soberania popular acreana, não podem ser admitidos. Por isso, com base na regra constitucional que diz que “Todo poder emana do povo” , convocamos todos a iniciarem um grande ato de resistência civil em defesa da soberania da decisão popular que rejeitou a Lei 11.66...

Os Farrapos dos olhos azuis

Cláudio Ribeiro - Demitri Túlio, do Jornal O Povo, de Fortaleza A íris clara, azulzíssima em muitos deles, é a digital do povo Farrapo. Também é da identidade a pele branca avermelhada, carimbada pelo sol forte que não cessa em Sobral. Isso mais entre os que vivem na zona rural. Gostam de exaltar o sobrenome. É forte. Farrapo não é apelido. Não são uma etnia, mas são tratados assim. São “da raça dos Farrapos”, como nos disse quem os indicou a procurá-los. Os Farrapos têm história a ser contada. Praticaram a endogamia por muito tempo. Casamentos em família, entre primos, mais gente do olho azul de céu que foi nascendo e esticando a linhagem. Sempre gostaram de negociar, trocar coisa velha. São um pouco reclusos. Vivem sob reminiscências de judaísmo. Há estudo disso, mas muito ainda a ser (re)descoberto. Os Farrapos são citados, por exemplo, no livro do padre João Mendes Lira, Presença dos Judeus em Sobral e Circunvizinhanças e a Dinamização da Economia Sobralense em Função do Capital Ju...

O povo pagou a conta da paixão

No Acre acontecem coisas que até Deus duvida e o diabo nem quer saber. O caso a seguir é um exemplo. Lá em Xapuri - a Ipiranga do Acre - existe um bairro muito antigo chamado pelo povo de “Bolívia”, apesar do seu verdadeiro nome ser Braga Sobrinho, em homenagem a uma das mais fortes casas aviadoras da região no início do século passado. Talvez por insistência dos moradores em chamarem o bairro pelo nome do inimigo, toda aquela gente humilde, no início da ditadura militar, foi vítima de uma história inusitada envolvendo um certo político da Arena – A Aliança Renovadora Nacional -, que comia, bebia e engordava junto com os militares. O alcaide da época andava enrabichado com a filha de um certo fazendeiro do lugar e, lá pelas tantas, com a fatalidade do casório praticamente se consolidando, resolveu pagar o dote da noiva com dinheiro público. Eu explico. O bairro da Bolívia, que não passa de uma única e longa rua, é cercado por duas pontes: uma fica na entrada (início da rua), ligando o ...