Pular para o conteúdo principal

STF edita súmula que garante acesso dos advogados a inquéritos sigilosos

Diego Abreu
Do G1, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta segunda-feira (2) a edição de uma súmula vinculante que permite o acesso dos advogados aos autos dos inquéritos policiais sigilosos nos casos que envolvam seus clientes. Por nove votos a dois, os ministros da Corte acataram o pedido protocolado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em setembro do ano passado.

A súmula deverá especificar que os advogados tenham acesso à parte concluída da investigação, e não a diligências em andamento. O texto final da súmula deve ser definido ainda nesta tarde pelos magistrados do Supremo.

O Ministério Público Federal se manifestou contrário à criação da súmula. Em plenário, o vice-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a súmula seria abusiva, sob os argumentos de que há processos em que o acesso à informação antecipada por parte da defesa significaria “inviabilidade da continuidade do processo”.

“Não é proibido investigar. O estado tem sim o direito de investigar. A Procuradoria-Geral da República não é contra o acesso de advogado aos autos. O que ela afirma é que esse acesso não é ilimitado, tem limites”, afirmou o procurador.

A orientação da PGR, no entanto, não foi seguida pela maior parte dos ministros. Para o relator do processo, Carlos Alberto Menezes Direito, que votou favoravelmente a edição da súmula, “uma sociedade democrática é incompatível a qualquer processo de investigação que seja sigiloso”. Ele afirmou não crer que a súmula signifique um obstáculo para as investigações a serem conduzidas pelo estado.

Somente Joaquim Barbosa e Ellen Gracie votaram contra a edição da súmula. Barbosa destacou em seu voto que a medida prejudicaria as investigações. Ellen, por sua vez, defendeu o direito de os advogados terem acesso aos autos, mas sustentou que não seria necessária a súmula para tal fim, pois o estatuto dos advogados já prevê essa possibilidade.

OAB

Quando protocolou o pedido de súmula no STF, o presidente da OAB, Cezar Britto, disse que recentemente mais de 30 processos acabaram anulados, porque a Justiça não observou o direito de os advogados terem acesso aos autos.

Segundo Britto, durante a Operação Navalha da Polícia Federal – que denunciou esquema de fraudes em licitações – foi preciso que a OAB entrasse com pedido de acesso ao inquérito. Na ocasião, o ministro Cezar Peluso autorizou. Britto acrescentou que o fato de os advogados conseguirem acesso aos processos, na época, impediu uma futura nulidade da sentença.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resistência civil pelo velho horário

Em 31 de outubro de 2010, durante o segundo turno, 56,87% dos eleitores acreanos, em referendo, rejeitaram a Lei 11.662, que alterou o fuso horário do Estado. Em 14 de dezembro de 2010, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidiram homologar o resultado. Na ocasião, o TSE entendeu que os próximos passos para definir os procedimentos da mudança não caberiam à Corte Eleitoral. O problema foi então transferido para o Senado Federal, onde vem recebendo forte lobby da Rede Globo de Televisão e da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), que já ameaçam, inclusive, acionar a justiça para que a decisão soberana do Povo do Acre não se efetive (veja aqui... ) Tais atos, desrespeitosos e ofensivos à soberania popular acreana, não podem ser admitidos. Por isso, com base na regra constitucional que diz que “Todo poder emana do povo” , convocamos todos a iniciarem um grande ato de resistência civil em defesa da soberania da decisão popular que rejeitou a Lei 11.66...

Os Farrapos dos olhos azuis

Cláudio Ribeiro - Demitri Túlio, do Jornal O Povo, de Fortaleza A íris clara, azulzíssima em muitos deles, é a digital do povo Farrapo. Também é da identidade a pele branca avermelhada, carimbada pelo sol forte que não cessa em Sobral. Isso mais entre os que vivem na zona rural. Gostam de exaltar o sobrenome. É forte. Farrapo não é apelido. Não são uma etnia, mas são tratados assim. São “da raça dos Farrapos”, como nos disse quem os indicou a procurá-los. Os Farrapos têm história a ser contada. Praticaram a endogamia por muito tempo. Casamentos em família, entre primos, mais gente do olho azul de céu que foi nascendo e esticando a linhagem. Sempre gostaram de negociar, trocar coisa velha. São um pouco reclusos. Vivem sob reminiscências de judaísmo. Há estudo disso, mas muito ainda a ser (re)descoberto. Os Farrapos são citados, por exemplo, no livro do padre João Mendes Lira, Presença dos Judeus em Sobral e Circunvizinhanças e a Dinamização da Economia Sobralense em Função do Capital Ju...

REPONDO A VERDADE SOBRE O ACRECAP LEGAL

A APLUB CAPITALIZAÇÃO, responsável pelo ACRECAP LEGAL, publicou nota no Jornal A GAZETA, edição de sábado, rebatendo as denúncias de que estaria praticando jogo de azar e se apropriando do resgate dos referidos títulos de capitalização. Em homenagem à verdade, façamos alguns reparos. Diz a APLUB que comercializa o título de capitalização, ACRECAP LEGAL, mediante a aprovação, junto à Superintendência de Seguro Privado (SUSEP), dos Processos nº 15414.200276/2010-81 e 15414.003023/2009-28, Ora, convenhamos, o fato da APLUB CAPITALIZAÇÃO ter obtido, após procedimento administrativo regular, junto à Superintendência de Seguros Privados,  autorização para a emissão e a comercialização de títulos de capitalização, não é o cerne do problema. O Problema está em sabermos se a atuação da referida empresa em relação ao ACRECAP LEGAL tem obervado os ditames legais. Ou seja: o problema é o que a APLUB faz com a autorização da SUSEP e não a autorização em si. Infelizmente, o que vem f...