Pular para o conteúdo principal

Crise no Senado - Tião permanece na berlinda

Noblat

Novo lance para alimentar a crise que se instalou no Senado com a denúncia de irregularidades: vazou o volume de gastos com a própria saúde do senador Tião Viana (PT-AC), candidato derrotado por José Sarney (PMDB-AP) na recente eleição para presidente da Casa.

Quem teve acesso aos números diz que eles são muito altos. Como eu não tive não posso garantir que são.

Gastos com a saúde dos 81 senadores constituem uma das dezenas de caixas pretas mantidas mais ou menos invioláveis por todos que se interessam por elas.

Senador tem direito a médicos e a todo tipo de tratamento em qualquer parte do mundo, não importra a que preço. O Senado paga tudo.

Cada vez que se divulga algum fato que deixa mal um senador, a maioria dos outros corre atrás do atingido para implorar pelo amor de Deus que desista de qualquer reação capaz de fazer transbordar mais lama.

Tião havia anunciado ontem que faria um discurso para responder à acusação de que cedera à sua filha mais velha para uma viagem ao México um dos seus dois celulares pagos pelo Senado. Ele pretendia aproveitar a ocasião para contar um pouco do que sabe sobre as maracutais que ocorrem ali dentro.

Foi um Deus-nos-acusa. Uma dezena de senadores, pelo menos, implorou a Tião para que não dissesse nada. Como a sessão do Senado foi suspensa devido à morte do deputado Clodovil Hernandez, Tião não discursou. Poderá fazê-lo em breve.

Sarney deu um tiro no próprio pé ao anunciar que pedira aos diretores do Senado que pusessem os cargos à disposição. Ele não fazia idéia do número de diretores.

Deixou enfurecidos 181 funcionários graduados do Senado. Eles têm acesso a informações sigilosas. São alguns deles que ajudam a mídia a arranhar a superfície das caixas pretas.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resistência civil pelo velho horário

Em 31 de outubro de 2010, durante o segundo turno, 56,87% dos eleitores acreanos, em referendo, rejeitaram a Lei 11.662, que alterou o fuso horário do Estado. Em 14 de dezembro de 2010, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidiram homologar o resultado. Na ocasião, o TSE entendeu que os próximos passos para definir os procedimentos da mudança não caberiam à Corte Eleitoral. O problema foi então transferido para o Senado Federal, onde vem recebendo forte lobby da Rede Globo de Televisão e da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), que já ameaçam, inclusive, acionar a justiça para que a decisão soberana do Povo do Acre não se efetive (veja aqui... ) Tais atos, desrespeitosos e ofensivos à soberania popular acreana, não podem ser admitidos. Por isso, com base na regra constitucional que diz que “Todo poder emana do povo” , convocamos todos a iniciarem um grande ato de resistência civil em defesa da soberania da decisão popular que rejeitou a Lei 11.66...

Os Farrapos dos olhos azuis

Cláudio Ribeiro - Demitri Túlio, do Jornal O Povo, de Fortaleza A íris clara, azulzíssima em muitos deles, é a digital do povo Farrapo. Também é da identidade a pele branca avermelhada, carimbada pelo sol forte que não cessa em Sobral. Isso mais entre os que vivem na zona rural. Gostam de exaltar o sobrenome. É forte. Farrapo não é apelido. Não são uma etnia, mas são tratados assim. São “da raça dos Farrapos”, como nos disse quem os indicou a procurá-los. Os Farrapos têm história a ser contada. Praticaram a endogamia por muito tempo. Casamentos em família, entre primos, mais gente do olho azul de céu que foi nascendo e esticando a linhagem. Sempre gostaram de negociar, trocar coisa velha. São um pouco reclusos. Vivem sob reminiscências de judaísmo. Há estudo disso, mas muito ainda a ser (re)descoberto. Os Farrapos são citados, por exemplo, no livro do padre João Mendes Lira, Presença dos Judeus em Sobral e Circunvizinhanças e a Dinamização da Economia Sobralense em Função do Capital Ju...

Quanto ganham as principais autoridades do Poder Executivo Estadual Acreano (penúltimo pior PIB do Brasil)

O presente estudo visa levar ao conhecimento dos contribuintes acreanos os valores das remunerações pagas às principais autoridades ocupantes de cargos no Poder Executivo do Estado do Acre. Constitui a primeira fase de um levantamento mais aprofundado que almeja apurar se tais valores guardam coerência com o Produto Interno Bruto local – hoje penúltimo do Brasil - em comparação ao que é pago em outros Estados da Federação e seus respectivos PIBs. O ponto de partida, para que possamos chegar aos demais, é o subsídio pago à maior autoridade do Estado do Acre: o “Governador”. O Chefe do Poder Executivo recebe, por força da Lei Estadual 2.411, de 22 de dezembro de 2010, o valor corresponde a 100% do subsídio pago aos Desembargadores do Tribunal de Justiça. Os Desembargadores, por seu turno, recebem 90,25% - pelo menos esse é o teto – inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal - do subsídio pago aos Ministros do Supremo Tribunal Federal, que hoje corresponde a R$ 26.723,13 . Feitas as ...