Pular para o conteúdo principal

Mais da metade da população carcerária acreana é "presumidamente" inocente

A se basear pelo que diz a Constituição Federal ao determinar, taxativamente, como garantia individual, que "todos são presumidamente inocentes até prova em contrário", pois "ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória", 54,6% dos presidiários acreanos são, por lei, inocentes presumidos.

Dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias – Infopen – do Ministério da Justiça, confirmam essa assustadora constatação. Dos 2.509 detentos acreanos, distribuídos nos seis estabelecimentos prisionais do estado, 1370 são considerados presos provisórios.

Na linguagem jurídica, presos provisórios são aqueles que aguardam decisão da justiça e ainda não foram sentenciados. Eles são obrigados a conviverem diariamente com detentos já condenados, submetidos às mesmas condições de prisão, como se já estivessem cumprindo pena, tudo porque no acre não há, ainda, nenhuma cadeia pública, que é o local que a lei reservou para esse tipo de situação.

Como conseqüência, há inúmeros casos de pessoas que ficaram um bom tempo presas e depois veio a sentença final de absolvição ao ser reconhecida, tempos depois, a inocência. Situações de "futuros inocentes presos" não chegam a ser nenhuma novidade no acre.

Para tornar a situação ainda mais complicada, há relatos, não comprovados em dados (mas possivelmente existentes) de presos, cuja pena máxima prevista para os crimes aos quais são acusados são inferiores ao tempo que já estão no presídio. Em outras palavras, ficam mais tempo presos provisoriamente do que deveriam ficar se fossem condenados a pena máxima. Destaca-se que a aplicação da pena máxima é uma exceção.

Não há informações no sistema sobre quantos desses detentos já estão recolhidos pelo estado a mais tempo do que a lei determina para a conclusão do processo, mas, suspeita-se que estes representem a imensa maioria, contrariando assim a regra constitucional que diz que "a prisão antes da sentença deve ser encarada como uma exceção e não como regra". Vale o dito popular: "se não tem como pagar advogado, o jeito é continuar preso e a mercê da inoperância estatal e de inevitáveis injustiças".

Em Rio Branco, quatro Varas Criminais funcionam atualmente. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, o número é insuficiente para atender ao enorme volume de processos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resistência civil pelo velho horário

Em 31 de outubro de 2010, durante o segundo turno, 56,87% dos eleitores acreanos, em referendo, rejeitaram a Lei 11.662, que alterou o fuso horário do Estado. Em 14 de dezembro de 2010, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidiram homologar o resultado. Na ocasião, o TSE entendeu que os próximos passos para definir os procedimentos da mudança não caberiam à Corte Eleitoral. O problema foi então transferido para o Senado Federal, onde vem recebendo forte lobby da Rede Globo de Televisão e da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), que já ameaçam, inclusive, acionar a justiça para que a decisão soberana do Povo do Acre não se efetive (veja aqui... ) Tais atos, desrespeitosos e ofensivos à soberania popular acreana, não podem ser admitidos. Por isso, com base na regra constitucional que diz que “Todo poder emana do povo” , convocamos todos a iniciarem um grande ato de resistência civil em defesa da soberania da decisão popular que rejeitou a Lei 11.66...

Os Farrapos dos olhos azuis

Cláudio Ribeiro - Demitri Túlio, do Jornal O Povo, de Fortaleza A íris clara, azulzíssima em muitos deles, é a digital do povo Farrapo. Também é da identidade a pele branca avermelhada, carimbada pelo sol forte que não cessa em Sobral. Isso mais entre os que vivem na zona rural. Gostam de exaltar o sobrenome. É forte. Farrapo não é apelido. Não são uma etnia, mas são tratados assim. São “da raça dos Farrapos”, como nos disse quem os indicou a procurá-los. Os Farrapos têm história a ser contada. Praticaram a endogamia por muito tempo. Casamentos em família, entre primos, mais gente do olho azul de céu que foi nascendo e esticando a linhagem. Sempre gostaram de negociar, trocar coisa velha. São um pouco reclusos. Vivem sob reminiscências de judaísmo. Há estudo disso, mas muito ainda a ser (re)descoberto. Os Farrapos são citados, por exemplo, no livro do padre João Mendes Lira, Presença dos Judeus em Sobral e Circunvizinhanças e a Dinamização da Economia Sobralense em Função do Capital Ju...

Quanto ganham as principais autoridades do Poder Executivo Estadual Acreano (penúltimo pior PIB do Brasil)

O presente estudo visa levar ao conhecimento dos contribuintes acreanos os valores das remunerações pagas às principais autoridades ocupantes de cargos no Poder Executivo do Estado do Acre. Constitui a primeira fase de um levantamento mais aprofundado que almeja apurar se tais valores guardam coerência com o Produto Interno Bruto local – hoje penúltimo do Brasil - em comparação ao que é pago em outros Estados da Federação e seus respectivos PIBs. O ponto de partida, para que possamos chegar aos demais, é o subsídio pago à maior autoridade do Estado do Acre: o “Governador”. O Chefe do Poder Executivo recebe, por força da Lei Estadual 2.411, de 22 de dezembro de 2010, o valor corresponde a 100% do subsídio pago aos Desembargadores do Tribunal de Justiça. Os Desembargadores, por seu turno, recebem 90,25% - pelo menos esse é o teto – inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal - do subsídio pago aos Ministros do Supremo Tribunal Federal, que hoje corresponde a R$ 26.723,13 . Feitas as ...