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Queda dos juros faz poupança ficar mais atrativa que fundos

Portal Terra

SÃO PAULO - A queda da taxa básica de juros (Selic), que nesta semana foi reduzida em 1 ponto percentual, para 10,25%, tem impacto direto no rendimento dos fundos de investimento em renda fixa, os chamados fundos DI. Como este investimento está sujeito a incidência de Imposto de Renda (IR) e a taxa de administração cobrada pelos bancos, ao contrário do que acontece com a poupança, a nova redução da taxa Selic aumentou o número de casos em que a rentabilidade da caderneta é mais atrativa para o investidor do que a da renda fixa.

De acordo com José Dutra Vieira Sobrinho, economista e professor de Matemática financeira do Ibmec-SP, a redução da taxa de juros feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana também tem impacto na poupança, mas em menor escala, pois incide apenas no cálculo da TR (a poupança tem um rendimento fixo de 0,5% ao mês mais a TR).

Com a redução da Selic nesta semana, o rendimento médio mensal da poupança caiu a 0,5752% ao mês, segundo simulações do professor do Ibmec. Com a taxa de juros a 11,25% ao ano, esse rendimento era de 0,5778%. Já o rendimento médio de um fundo de investimento, com taxa de administração cobrada pelo banco de 2% ao ano, caiu de 0,5806% para 0,52% ao mês (já descontado o IR), na mesma base de comparação, portanto ficando menos atrativo do que a poupança.

Com a nova taxa Selic decidida na última quarta, um fundo de investimento teria que ter taxa de administração de 1% para ser mais rentável que a caderneta, segundo cálculos de Vieira Sobrinho. Nesse caso, a rentabilidade do fundo ficaria em 0,5863% ao mês.

O Terra pesquisou os dois maiores bancos privados brasileiros e descobriu que, os fundos com as taxas de administração mais próxima a 1% exigem depósitos iniciais mais altos. No Bradesco, por exemplo, há o FIC Renda Fixa Marte, com taxa de administração de 1% ao ano, mas que exige aplicação inicial de R$ 200 mil. Já no Itaú, o fundo disponível é o Mega RF, que tem taxa anual de 1,4% e exige investimento inicial de R$ 70 mil.

- Quando a Selic era de 16% (ao ano), mesmo com a taxa (de administração) a 4%, a rentabilidade do fundo era maior do que a da poupança. Dos últimos 25 anos até dois anos atrás, (os fundos) sempre ofereceram uma rentabilidade líquida maior que a da poupança. (...) Na média, (os fundos) já estavam antes (da última queda) perdendo para a poupança. A tendência é que se continuar a queda da Selic, a poupança tenha larga vantagem - afirmou o economista.

No entanto, ele destaca que esta migração já é vista com cautela pelo governo, que estuda mudanças no rendimento da poupança para não causar uma fuga de capital dos fundos de renda fixa. O professor explica que, em sua maioria, os fundos são lastreados em títulos da dívida do governo, que na prática ajudam na administração das contas públicas.

Oportunidade de ganhos maiores

A queda da Selic e a conseqüente perda de rentabilidade dos fundos também afeta aqueles investidores que procuram ganhos maiores e até agora estavam satisfeitos com a aplicação. Para estes a solução apontada por Keyler Carvalho Rocha, vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), é migrar para investimentos de maior risco, mas também com chance de ganho mais alto, como o mercado de ações.

- À medida que afeta o rendimento as pessoas podem optar por investir em ações - afirma ele.

Segundo Rocha, essa entrada na bolsa ainda é evitada pelos investidores mais conservadores. No entanto, ele destaca que há novos fundos em ações que garantem o capital investido, mas em contrapartida taxam qualquer rentabilidade obtida acima do contratado.

- A pessoa que está acostumada em investir em renda fixa é meio apavorada. Mas já há alguns fundos de investimento em ações que garantem o capital investido, mas também cobram pela rentabilidade obtida acima de um patamar determinado - explica.

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